Por Castilho de Andrade
Interlagos é um palco privilegiado da Fórmula 1. O título de Button, no domingo, foi o quinto consecutivo no autódromo paulistano. Depois do bicampeonato de Fernando Alonso, Kimi Räikkönen e Lewis Hamilton foi a vez do inglês Button e da equipe Brawn receberem a consagração definitiva no Brasil.
A Fórmula 1 segue sendo o maior evento da cidade de São Paulo. No domingo tivemos 70.501 pessoas no autódromo. Nos três dias do evento cerca de 120 mil pessoas estiveram nas arquibancadas e nas áreas VIP. O governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab, o ministro do Esporte Orlando Silva, o presente da SP Turis Caio Luiz de Carvalho assistiram à penúltima etapa do Mundial e participaram da cerimônia do pódio do GP Petrobras do Brasil de Fórmula 1. O presidente da FOM, Bernie Ecclestone, voltou satisfeito para a Europa depois de elogiar a prova. “O Brasil continua mostrando que é capaz de realizar um grande evento. Por isso estou seguro de que o país também terá sucesso na realização da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016”.
Para Caio Luiz de Carvalho, os primeiros dados indicam que a cidade lucrou cerca de R$ 260 milhões com o GP. Esse é o dinheiro que os turistas deixaram na cidade na semana do evento.
O GP do Brasil inovou, outra vez, em 2009. Criou o primeiro pódio eletrônico da história da categoria exibindo as diversas logomarcas da Petrobras, fechou a primeira parceria com um clube de futebol, o São Paulo, na montagem da arquibancada ‘Paddock Tricolor’ para os torcedores do time, e reciclou o próprio lixo do autódromo para a confecção dos troféus da Braskem. O troféu, com o mesmo desenho de Oscar Niemeyer mas de cor azul, foi um dos assuntos que chamou mais a atenção da imprensa internacional presente no autódromo. A corrida terminou com a bandeirada de Felipe Massa para o vencedor da corrida, Mark Webber, diante de um número recorde de câmeras.
“Estamos sempre procurando criar alguma coisa nova, melhorar as que já existem. Isso faz parte da cultura da nossa empresa”, justifica Tamas Rohonyi, promotor da prova.
A Rede Globo de Televisão também comprovou, mais uma vez, a força da F-1 com audiência absoluta no sábado e domingo. No sábado, mesmo com o atraso no treino de classificação por causa da chuva, a transmissão permaneceu no ar com excelente resposta dos telespectadores.
Interlagos, no domingo, viu pela última vez Fernando Alonso correndo pela Renault, Giancarlo Fisichella na Ferrari, Kimi Räikkönen na Ferrari, Heikki Kovalainen na McLaren, Rubinho Barrichello na Brawn, Nico Rosberg na Williams entre outras mudanças previstas para a próxima temporada. No GP Brasil de 2010, corrida que voltará a encerrar o Mundial, Felipe Massa não dará a bandeirada mas estará no cockpit da Ferrari e Fernando Alonso será seu companheiro de equipe; Rosberg e Rubinho deverão trocar de equipe: Rosberg passará a defender a Brawn e Rubinho, a Williams.
Com o apoio de Bernie Ecclestone em reunião no próprio autódromo horas antes da corrida, Bruno Senna também deverá estar no grid. E Luca Di Grassi poderá seguir o mesmo caminho na Renault ou em uma das novas escuderias previstas para estrear no ano que vem.
A corrida de Interlagos foi também a última no Brasil sob a gestão do presidente Max Mosley que marcou definitivamente seu derradeiro ano na presidência da FIA projetando uma categoria com mais carros e mais equilibrada para o futuro. Na próxima sexta-feira, o candidato da situação, o vitorioso Jean Todt, é o grande favorito das eleições para a presidência da entidade, em Paris.
Sobre o Mundial, Jenson Button mereceu o título pelo que realizou na primeira metade da temporada. Subiu ao pódio nas sete primeiras provas do ano com o surpreendente resultado de seis vitórias e um terceiro lugar. Mas, sem dúvida, Rubinho Barrichello merece metade do troféu. Sem sua percepção para o acerto e desenvolvimento do carro Button jamais seria campeão mundial. Rubinho sai em alta para a Williams. Agora depende do carro e motor que a equipe oferecerá ao piloto brasileiro em 2010, quando alcançará a impressionante marca de 300 GPs.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1