Schumacher de volta : melhor para a F1

autor X

Por Castilho de Andrade

A grande notícia da Fórmula 1 em 2009 não é o sucesso – que começa a perder força – da Brawn ou a reação – ainda duvidosa – da Red Bull. É Michael Schumacher que, aos 40 anos, sete vezes campeão mundial, 91 vitórias, 68 poles, 154 pódios, recordista absoluto da categoria, estará no grid da próxima etapa do Mundial, dia 23 de agosto, em Valência, pilotando o carro vermelho da Ferrari, substituindo Felipe Massa. Desde o anúncio oficial de seu retorno às pistas só se fala disso. O alemão vai esquentar o campeonato na sua reta final.

Michael Schumacher está em perfeita forma física e técnica. Continua com seus exercícios, partidas de futebol, corridas amadoras de moto e nos testes que realizou para a Ferrari depois de sua despedida em 2006, no autódromo de Interlagos, mostrou que não perdeu a técnica e o gosto pelo acelerador. E Schumacher volta exatamente quando a Ferrari esboça sua melhor fase no atual campeonato, depois dos pódios de Felipe Massa, na Alemanha, e Kimi Räikkönen, na Hungria.

A volta de Schumacher à Fórmula 1 é igual a de outros grandes esportistas que, por motivos diversos, aceitaram retornar às competições. E se deram bem.

No futebol, o melhor exemplo é Pelé. O maior jogador de todos os tempos tinha se despedido dos gramados em 1974 depois de um modesto jogo entre Santos e Ponte Preta, na Vila Belmiro. No ano seguinte recebeu uma proposta tentadora: promover o ‘soccer’ (como os americanos chamam o futebol) definitivamente na América, contratado pelo então recém-criado New York Cosmos. Pelé aceitou o desafio aos 35 anos e até o verdadeiro jogo de despedida, em 1977 onde jogou um tempo pelo Cosmos e outro pelo Santos provou que os americanos tinham acertado no alvo.

No basquete, Michael Jordan, grande ídolo do Chicago Bulls e considerado o maior jogador da liga profissional, voltou a atuar depois de três anos de aposentadoria, aos 38 anos, defendendo o Washington Wizzards na temporada 2002/3. Foi um grande momento da NBA, nos Estados Unidos, e assunto em todo o mundo.

Na Fórmula 1, dois retornos foram muito bem sucedidos. O austríaco Niki Lauda, bicampeão mundial entre 71 e 79, abandonou as pistas em 1980. Voltou em 1982, aos 33 anos, para conquistar o tricampeonato em 1984, defendendo a McLaren.

O ‘professor’ Alain Prost, por sua vez, tricampeão mundial, deixou as pistas no final de 1991 quando Ayrton Senna conquistou seu terceiro título. Voltou em 1993, aos 38 anos, ganhou seu quarto campeonato e, então, deixou de vez o automobilismo.

A inesperada volta de Michael Schumacher depois do acidente de Felipe Massa ainda não tem contornos bem definidos já que não se sabe quando o piloto brasileiro terá condições de voltar a pilotar. A princípio sua evolução clínica é excelente e ele não tem seqüelas.  Portanto não se sabe quantas provas Schumacher disputará este ano. Mas já se fala que ele poderia correr até o final do campeonato,  em Abu Dhabi, disputando portanto o GP do Brasil, dia 18 de outubro, em Interlagos. Neste caso, Massa seria poupado e só voltaria a correr pela Ferrari no ano que vem, já que o piloto não tem chances de lutar pelo título mundial. E a equipe prefere que ele só pilote quando estiver totalmente recuperado. Schumacher em Interlagos, se acontecer, será uma das grandes atrações da prova que poderá, outra vez, definir o novo campeão mundial da temporada.

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.