Brawn patina. E a Red Bull entra de vez na disputa.

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Por Castilho de Andrade

A dobradinha da Red Bull com a vitória, primeira da carreira, de Mark Webber e o segundo lugar de Sebastian Vettel na corrida de Nürburgring  mudaram a bússola do Mundial de Fórmula 1 de 2009. A Brawn não conseguiu preparar seus carros para lutar pela vitória. E Webber acabou ganhando a corrida mesmo depois de cumprir (justa) punição pela tentativa de tirar Rubinho Barrichello na largada.

A virada da Red Bull começou na Turquia quando os dois pilotos da equipe subiram ao pódio mas ainda atrás de Jenson Button. Depois a equipe cravou os dois primeiros lugares em Silverstone e voltou a repetir o resultado na Alemanha.  Na prática isso significa que a F-1 oferece no momento uma empolgante disputa entre os dois melhores técnicos contemporâneos, Ross Brawn e Adrian Newey.

O campeonato está na segunda metade. Nove corridas já foram disputadas e restam oito para o final da temporada.  Jenson Button lidera com vantagem de 21 pontos sobre seu principal adversário, Sebastian Vettel. O alemão terá que tirar três pontos por corrida por alcançar o inglês. Não é fácil mas também não é impossível. Principalmente se os carros da Brawn continuarem perdendo um pouco de qualidade e cometendo alguns equívocos no box como ocorreu em Nürburgring.  Outra preocupação da Brawn é o campeonato de construtores que parecia, praticamente, garantido. Mas o crescimento da Red Bull, agora, ameaça a vitória que estava quase assegurada. São 19,5 pontos de diferença entre as duas equipes. E tirar esta vantagem, na situação do momento, é até mais fácil do que tirar a diferença entre os pilotos que disputam o título de 2009.

Com Barrichello caindo para o quarto lugar, a Brawn estará agora na obrigação de privilegiar Button nas corridas restantes. Rubinho está 24 pontos atrás de Button e três atrás de Vettel.  Mas se ele estiver uma posição na frente de Button é pouco provável que Ross Brawn ordene uma inversão. Ross Brawn já declarou que é contrário a essa prática. A forma de ajudar Button talvez seja no jogo de paradas como ocorreu na Alemanha, facilitando a situação para Button terminar a corrida na frente. Não passará disso enquanto Barrichello mantiver ainda chances aritméticas reais de brigar pelo Mundial.

De resto valeu o terceiro lugar de Felipe Massa. Como Fernando Alonso está chegando, o que Massa tem a fazer agora é mostrar que é o melhor da equipe para continuar na equipe em 2010. Kimi Räikkönen nem parece estar tentado a lutar por uma vaga na Ferrari.

E Nelsinho Piquet? Parece que a situação já mudou um pouco. O próprio piloto já diz que terá um carro igual ao de Fernando Alonso na próxima corrida, no circuito de Hungaroring.

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.