Quem pode parar a Brawn?

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Por Castilho de Andrade                   

Esperava-se mais do GP da Espanha, em Barcelona. Esperava-se, principalmente, que a chamada ‘fase européia’ mudasse a bússola do Mundial de Fórmula 1 de 2009 e apontasse para um novo round onde Ferrari e McLaren cresceriam e a liderança folgada da Brawn GP ficasse ameaçada. Nada disso. O que se viu foi a equipe de Ross Brawn garantir mais uma dobradinha sem tomar conhecimento das adversárias.

Até aí tudo bem. Os carros de Jenson Button, líder com quatro vitórias em cinco corridas, e Rubinho Barrichello, segundo colocado, estão com uma tocada limpa, tranqüila que, às vezes, dá a impressão que nem está acelerando muito. E Ross Brawn tem então nas mãos a possibilidade de aplicar a tática que julgar mais acertada para cada situação.

Agora é que a história começa a ficar esquisita. Que Jenson Button merece o lugar onde está não há a menor dúvida. Mas a administração da disputa entre Button e Rubinho Barrichello pode ser o calcanhar de Aquiles da escuderia. No circuito de Bahrein, a mudança repentina de duas para três paradas foi nefasta para o piloto brasileiro. Na Espanha, a mudança de três para duas paradas permitiu que Jenson Button superasse o companheiro de equipe e cruzasse a linha de chegada em primeiro lugar.

‘Coincidência’ foi uma palavra repetida até a exaustão no Box da equipe, após a corrida. Rubinho, por sua vez, deixou claro que se sentir preterido pega o boné e volta para casa. O relacionamento dentro da equipe, por enquanto, parece amistoso. As próprias cenas do pódio, com Button abraçado a Rubinho não revelam nenhum desgaste entre os dois. Mas Rubinho é gato escaldado, atravessou uma fase difícil na Ferrari, e estava quase fora do Mundial quando Ross Brawn conseguiu viabilizar o projeto para colocar os carros na pista. Ainda assim teve a vaga ameaçada por Bruno Senna. Depois, como tudo mundo, deve ter se surpreendido ao perceber que tinha as nas mãos um monoposto bom o suficiente para lutar pelo título. Só não esperava, com certeza, que o monótono Button, de repente, se transformasse em um furioso vencedor.

A pergunta que não quer calar, agora, é esta: quem tomou a decisão de mudar a estratégia de Button? Se foi a equipe, tudo bem. É isso que, realmente, parece que aconteceu. E jamais a Brawn revelaria, se fosse verdade, que tomou a decisão para evitar que Barrichello chegasse na frente. Se a idéia foi de Button como chegou-se a aventar, então estamos diante de um novo gênio da F-1, capaz de acelerar e fazer cálculos precisos ao mesmo tempo. Como Michael Schumacher.  E o título dificilmente escapará de suas mãos.

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.